Blog

Quem criou o magnetismo humano?

Quem criou o magnetismo humano? A história completa por trás dessa prática terapêutica

O magnetismo humano carrega uma história rica, que atravessa séculos de observação, experimentação e debates intensos. 

Ainda assim, muita gente desconhece quem foram os responsáveis por sistematizar essa prática e como ela evoluiu até chegar ao formato que conhecemos hoje. 

Afinal, quem criou o magnetismo humano?

Nesse artigo, vamos percorrer a trajetória dessa prática terapêutica desde suas raízes no século XVIII, passando pelos principais nomes que contribuíram para sua estruturação, até o resgate contemporâneo conduzido por escolas sérias. 

Se você busca compreender de onde veio o magnetismo humano e por que ele permanece relevante, este conteúdo foi preparado para responder essas perguntas com profundidade.

O que é o magnetismo humano e por que sua origem importa?

Antes de mergulhar na história, vale esclarecer o que se entende por magnetismo humano. 

Em primeiro lugar, trata-se de uma prática terapêutica fundamentada na observação dos fenômenos vitais, psíquicos e energéticos do ser humano. 

Diferente do magnetismo físico dos ímãs, essa tradição lida com a capacidade que uma pessoa possui de influenciar o equilíbrio de outra por meio da intenção, de técnicas manuais específicas e da presença consciente.

Compreender a origem dessa prática é importante porque permite separar o que possui fundamento histórico e clínico daquilo que foi distorcido ao longo do tempo. 

De fato, o magnetismo humano não surgiu do nada e também não é invenção recente. Ele possui uma linhagem de pesquisadores, médicos e observadores que dedicaram décadas ao estudo de seus efeitos.

Ao conhecer essa linhagem, é necessário enxergar a prática com outros olhos. 

Não se trata de algo esotérico no sentido pejorativo da palavra, mas de uma tradição que se desenvolveu a partir de observações clínicas sistemáticas, registradas em obras que permanecem acessíveis e estudadas até os dias de hoje.

Quem foi Franz Anton Mesmer, o precursor do magnetismo humano?

Sugestão de imagem: retrato histórico de Franz Anton Mesmer Alt text: Franz Anton Mesmer precursor do magnetismo humano

A resposta mais direta à pergunta “quem criou o magnetismo humano” aponta para Franz Anton Mesmer (1734-1815), médico alemão que desenvolveu o conceito de “magnetismo animal” no final do século XVIII. 

Mesmer acreditava na existência de um fluido universal, presente em todos os seres vivos, capaz de influenciar a saúde e o comportamento humano.

Sua tese de doutorado, defendida em 1766 na Universidade de Viena, já abordava a influência dos corpos celestes sobre o organismo. 

Com o tempo, assim, Mesmer passou a investigar como esse fluido poderia ser direcionado de uma pessoa para outra, com a finalidade de restabelecer o equilíbrio e promover a recuperação de condições de saúde.

Vale ressaltar que Mesmer era um homem erudito e polifacético, formado tanto em Medicina quanto em Filosofia e Direito. 

Essa formação ampla influenciou diretamente sua abordagem, que tentava conciliar princípios da física newtoniana com a observação dos fenômenos terapêuticos que testemunhava em sua prática clínica.

Como funcionavam as sessões de Mesmer?

As primeiras experiências de Mesmer envolviam o uso de ímãs metálicos, que ele acreditava capazes de redistribuir o fluido vital nos pacientes. 

Aos poucos, no entanto, ele observou que os efeitos terapêuticos persistiam mesmo sem o uso dos ímãs, o que o levou a concluir que a força curativa residia no próprio magnetizador, e não no metal.

Essa percepção representou uma mudança conceitual profunda. 

A partir desse momento, Mesmer deixou de considerar o ímã como agente ativo e passou a atribuir ao ser humano o papel central no processo terapêutico. 

Em outras palavras, o próprio corpo do terapeuta seria capaz de transmitir o fluido necessário para o reequilíbrio do paciente.

Em Paris, onde se estabeleceu a partir de 1778, Mesmer desenvolveu um dispositivo chamado baquet. Tratava-se de uma espécie de recipiente preenchido com garrafas de água “magnetizada” e barras de ferro, ao redor do qual os pacientes se reuniam em grupo. 

As sessões aconteciam em ambientes controlados, com iluminação reduzida e, por vezes, acompanhamento musical.

Para os pacientes que não podiam arcar com os custos das sessões privadas, Mesmer chegou a “magnetizar” uma árvore próxima à sua residência, de modo que os necessitados pudessem receber o tratamento gratuitamente. 

Esse gesto revela uma dimensão humanitária da prática, que nem sempre é mencionada nos relatos históricos.

Muitos pacientes relatavam reações intensas durante o processo, como tremores, choro e estados de agitação emocional, que Mesmer interpretava como “crises” necessárias para o restabelecimento do fluxo vital. 

Apesar disso, seus resultados clínicos atraíram grande interesse público na França pré-revolucionária.

O que a comissão real de 1784 concluiu sobre o magnetismo animal?

Em 1784, o rei Luís XVI nomeou uma comissão de investigadores para avaliar as alegações de Mesmer. O grupo contava com nomes importantes, como Benjamin Franklin e Antoine Lavoisier. 

Após uma série de experimentos, a comissão concluiu que não havia evidências da existência do fluido magnético proposto por Mesmer.

Essa avaliação, no entanto, não negou que os pacientes apresentavam melhoras reais. 

A comissão atribuiu os efeitos observados à imaginação e à sugestão, sem conseguir oferecer uma explicação definitiva para os resultados clínicos. 

Dessa maneira, esse episódio se tornou um marco na história da ciência experimental, por ter utilizado métodos como ensaios cegos, algo raro naquela época.

O que nem sempre se menciona é que Mesmer, antes da formação dessa comissão, já havia solicitado que a avaliação fosse feita exclusivamente sobre os resultados clínicos de seu tratamento, sem exigir validação de sua teoria sobre o fluido. 

A academia, porém, optou por investigar a existência do fluido, e não a eficácia dos resultados. Essa decisão metodológica influenciou diretamente as conclusões do relatório e seus desdobramentos históricos.

Mesmer publicou alguma obra sobre sua teoria?

Sim. Em 1779, Mesmer publicou Mémoire sur la découverte du magnétisme animal (Memórias sobre a descoberta do magnetismo animal), onde apresentou suas célebres 27 proposições. Nesse texto, ele detalhou sua teoria sobre o fluido universal e os princípios que, segundo sua visão, regiam a saúde e a doença. 

Posteriormente, em 1799, publicou outro informe ampliando suas reflexões. Essas obras, ainda que contestadas pela academia da época, se tornaram referências obrigatórias para todos os pesquisadores que vieram depois.

Qual foi a contribuição do Marquês de Puységur para o magnetismo humano?

Sugestão de imagem: ilustração do Marquês de Puységur em sessão magnética Alt text: Marquês de Puységur descobridor do sonambulismo magnético

Se Mesmer deu o pontapé inicial, foi Armand-Marie-Jacques de Chastenet, o Marquês de Puységur (1751-1825), quem ampliou consideravelmente a compreensão dessa prática terapêutica. Puységur era um dos discípulos mais dedicados de Mesmer e, por sua vez, trouxe uma observação original que mudaria os rumos do campo.

Durante uma sessão de magnetização com um de seus pacientes, um jovem camponês chamado Victor Race, Puységur percebeu que o rapaz entrou em um estado de transe diferente do que se conhecia até então. 

Victor mantinha os olhos fechados, respondia a perguntas com clareza, descrevia sensações internas e até oferecia orientações sobre seu próprio tratamento. Era como se uma camada mais profunda de percepção se tornasse acessível durante aquele estado.

O que é o sonambulismo magnético?

Puységur chamou essa condição de “sonambulismo magnético”, por apresentar semelhanças superficiais com o sonambulismo natural, embora fosse um fenômeno distinto. 

Nesse estado, o indivíduo mantinha uma espécie de lucidez interna, sem perda de consciência no sentido estrito. O paciente não apenas percebia seu próprio corpo de forma mais apurada, como também demonstrava capacidade de descrever desequilíbrios e, em alguns casos, sugerir procedimentos terapêuticos.

Essa descoberta foi decisiva para o avanço do magnetismo humano, pois mostrou que a prática não se limitava a efeitos físicos. Dessa forma, Puységur passou a valorizar a relação entre o magnetizador e o paciente, atribuindo à vontade e à intenção do terapeuta um papel central no processo.

Puységur também introduziu uma dimensão ética importante. Para ele, a vontade de fazer o bem era mais relevante do que a técnica empregada. 

Essa perspectiva humanizou a prática e a afastou de uma visão puramente mecânica do fluido magnético, inaugurando uma vertente mais psicológica e relacional que influenciou diretamente os estudos posteriores sobre hipnose e estados alterados de consciência.

Em suas obras, principalmente em Memórias para Servir à História e ao Estabelecimento do Magnetismo Animal (1784), Puységur registrou casos clínicos, descreveu o fenômeno sonambúlico com detalhes e defendeu a validade terapêutica do magnetismo. 

Essas publicações se tornaram referência para gerações inteiras de magnetizadores.

Quais outros pesquisadores contribuíram para o desenvolvimento dessa prática?

O magnetismo humano não se limitou a Mesmer e Puységur. Ao longo do século XIX, assim sendo, diversos pesquisadores aprofundaram os estudos e ampliaram a compreensão sobre essa tradição terapêutica. A seguir, conheça os nomes mais importantes dessa linhagem.

Joseph Deleuze e a sistematização das técnicas

Joseph Philippe François Deleuze (1753-1835) ocupa um lugar especial na história do magnetismo humano. Nascido em uma família nobre de Sisteron, no sudoeste da França, Deleuze foi discípulo direto de Mesmer e colaborador de Antoine Laurent de Jussieu. Junto com Puységur, ele contribuiu de forma decisiva para que o magnetismo fosse visto com seriedade e respeito.

Em 1813, Deleuze publicou História Crítica do Magnetismo Animal, onde buscou apresentar os fatos mais aceitáveis para a comunidade científica. Além disso, ele defendia que o magnetismo deveria ser praticado com responsabilidade moral e sempre em benefício do paciente.

Sua obra mais influente, no entanto, foi Instruções Práticas sobre o Magnetismo Animal, publicada em 1819. Esse livro organizou de forma didática os procedimentos do magnetismo, classificando métodos de magnetização, descrevendo os perigos e como evitá-los, abordando a utilização do sonambulismo e o poder da água magnetizada. Allan Kardec, em seu Catálogo Racional, elogiou essa obra como “um dos melhores guias sobre a matéria”. Com essa publicação, pode-se dizer que o magnetismo teórico e prático ficou definitivamente estabelecido como campo de conhecimento organizado.

Charles Lafontaine e a demonstração pública do magnetismo

Charles Lafontaine (1803-1892), nascido em Vendôme, França, foi um dos responsáveis por dar visibilidade pública ao magnetismo animal. Após estudar profundamente as obras de Deleuze e Puységur, Lafontaine permitiu que magnetizassem a ele próprio, para compreender na própria experiência a ação do magnetismo sobre o organismo. Em seguida, dedicou-se à prática de forma intensa.

Lafontaine percorreu a França realizando demonstrações públicas e tratando doentes. Em 1841, viajou à Inglaterra, onde conheceu o médico James Braid. Foi justamente em uma de suas apresentações em um palco de teatro que Braid fez as observações que serviriam de base para o desenvolvimento do hipnotismo. Esse encontro é um dos marcos mais significativos na transição entre o magnetismo animal e a hipnose moderna.

Sua principal obra, A Arte de Magnetizar, é considerada um resumo prático de observações, mais do que um tratado teórico. Lafontaine estava convencido da emissão de um fluido magnético que funcionava como agente físico, e buscava demonstrar e difundir o magnetismo pela via experimental.

O Barão du Potet e a difusão hospitalar

Jules Denis, o Barão du Potet (1796-1881), por sua vez, levou a prática aos hospitais franceses. Em 1820, no Hôtel-Dieu de Paris, o mais antigo hospital da cidade, ele realizou demonstrações que chamaram a atenção de médicos, mesmo em um ambiente onde predominava o ceticismo. Esse feito é particularmente notável porque ocorreu em um período em que a medicina oficial negava tanto a eficácia quanto a existência do magnetismo animal.

Du Potet estudou profundamente os escritos de Puységur e desenvolveu exercícios específicos para sensibilizar as mãos e aprimorar a projeção magnética. Em seguida, ele validou o sonambulismo como técnica orientadora do procedimento do magnetizador e trabalhou com diversas manobras, como passes de grandes correntes, passes transversais, aplicações, fricções, imposições e insuflações.

Em 1852, du Potet fundou o Journal du Magnétisme, publicação que se tornou referência para magnetizadores de toda a Europa. Seu legado foi continuado por Hector Durville, considerado herdeiro direto de sua obra.

Hector Durville e a institucionalização do ensino

Hector Durville (1849-1923) é frequentemente chamado de “pai espiritual dos magnetizadores franceses”. Ele dedicou a vida à pesquisa, ao ensino e à divulgação do magnetismo humano. 

Em 1887, fundou a Société Magnétique de France, e em 1893 criou a École Pratique de Magnétisme et de Massage, uma das primeiras instituições de ensino formal voltadas à formação de magnetizadores.

Durville produziu obras extensas sobre a teoria e a prática do magnetismo, coordenando os conhecimentos existentes em compêndios que se tornaram breviários para os praticantes. Seu livro Teorias e Procedimentos do Magnetismo apresenta a maneira como cada magnetizador, desde Mesmer até seus contemporâneos, compreendia e aplicava o magnetismo.

Com Durville, a prática atingiu um patamar de organização institucional que a aproximou do formato de escola. A formação deixou de depender exclusivamente da relação mestre-aprendiz e ganhou estrutura curricular, o que representou um avanço significativo na transmissão desse conhecimento.

Allan Kardec e a ponte entre magnetismo e espiritualidade

Allan Kardec (1804-1869), conhecido como codificador da Doutrina Espírita, também reconheceu a importância dessa tradição em suas obras. Embora não fosse um magnetizador de ofício, Kardec abordou a relação entre magnetismo, mediunidade e equilíbrio vibracional, sobretudo em O Livro dos Médiuns e A Gênese

Nesse sentido, sua contribuição ajudou a integrar o magnetismo ao campo da espiritualidade de forma organizada, sem abandonar a busca por explicações racionais.

Na questão 555 de O Livro dos Espíritos, Kardec afirma que o espiritismo e o magnetismo fornecem a chave para compreender fenômenos que a ignorância transformou em fábulas. Para ele, o conhecimento dessas duas ciências, que no fundo formam uma só, revela o que pertence às leis da natureza e o que se limita a crendice. Essa perspectiva reforçou o caráter investigativo e não dogmático do magnetismo.

Jacob Melo e a tradição contemporânea no Brasil

No cenário brasileiro, por exemplo, Jacob Melo se destaca como um dos mais importantes pesquisadores do magnetismo humano nas últimas décadas. Autor de obras como Magnetismo Humano e O Tato Magnético, Jacob documentou técnicas, fundamentos teóricos e relatos práticos com rigor e acessibilidade.

Jacob Melo também revisou e adaptou obras clássicas para o público contemporâneo, como a tradução revisada das Instruções Práticas sobre o Magnetismo Animal, de Deleuze. Esse trabalho de ponte entre a tradição clássica e o leitor atual ampliou significativamente o acesso ao conhecimento magnetológico no Brasil. Seu trabalho valoriza o preparo do magnetizador, a intenção consciente e o respeito ao campo energético do outro.

Por que essa prática foi marginalizada pela ciência oficial?

Essa é uma pergunta necessária para quem deseja compreender o contexto completo da prática. Após a condenação da comissão de 1784, o magnetismo humano enfrentou resistência crescente dentro das academias científicas europeias. Como resultado, muitos pesquisadores precisaram atuar à margem do meio institucional.

O avanço da neurologia e da psiquiatria no século XIX, por outro lado, trouxe explicações alternativas para os fenômenos observados nas sessões de magnetismo. Em 1842, James Braid cunhou o termo “hipnotismo” para descrever o que considerava um estado de sono nervoso induzido por concentração intensa, rejeitando assim a teoria do fluido magnético. A partir daí, a hipnose clínica absorveu parte do legado do magnetismo, enquanto o restante foi gradualmente afastado do meio acadêmico.

Outro fator que contribuiu para essa marginalização foi a multiplicação de praticantes sem formação adequada. 

À medida que o magnetismo se popularizou, surgiram indivíduos que o apresentavam de forma sensacionalista, fazendo promessas irreais e utilizando-o em contextos que comprometiam sua credibilidade. Essa distorção afastou profissionais sérios e reforçou o preconceito da comunidade científica.

Apesar dessa marginalização, no entanto, a prática jamais desapareceu por completo. Ela sobreviveu em tradições terapêuticas, em comunidades espirituais e, mais recentemente, em escolas que se dedicam a resgatá-la com método e seriedade.

Como a tradição francesa influenciou o magnetismo humano clássico?

A França ocupa um lugar central na história do magnetismo humano. Foi em Paris que Mesmer alcançou sua maior projeção. Da mesma forma, foi também na França que surgiram os principais discípulos que levaram a prática adiante: Puységur, Deleuze, du Potet, Lafontaine e Durville.

A tradição francesa se distingue, a princípio, por algumas características relevantes: ênfase na observação clínica cuidadosa, registro sistemático dos efeitos observados, respeito aos limites terapêuticos e integração entre teoria e prática. 

Essas características tornaram o magnetismo clássico francês uma referência para quem busca uma abordagem séria, estruturada e fundamentada.

É notável que a França tenha sido o berço não apenas dos principais pesquisadores, mas também das primeiras instituições formais dedicadas ao ensino do magnetismo. A Société Magnétique de France e a École Pratique de Magnétisme, ambas fundadas por Durville, representaram um esforço pioneiro de institucionalização que deixou marcas profundas no campo.

Até os dias de hoje, essa tradição permanece viva e, desse modo, influencia escolas e formações que se propõem a ensinar a prática de maneira responsável, sem sensacionalismo e com respeito à dignidade do paciente.

O magnetismo humano é reconhecido como prática terapêutica atualmente?

O reconhecimento dessa prática varia conforme o país e o contexto institucional. Em alguns países europeus, principalmente na França, existem associações e escolas que mantêm a formação de magnetizadores de forma regulamentada. 

No Brasil, por sua vez, a prática é associada, em grande parte, a práticas integrativas e complementares de saúde.

O que se observa atualmente é um movimento crescente de resgate do magnetismo clássico, conduzido por instituições que priorizam o rigor técnico, a fundamentação histórica e a ética profissional. 

Assim sendo, esse resgate busca afastar a prática de abordagens distorcidas, promessas irreais e métodos sem embasamento, devolvendo a ela o caráter terapêutico estruturado que caracterizou sua origem.

Esse movimento de resgate não se limita a reproduzir técnicas antigas de forma acrítica. 

Pelo contrário, ele busca reler as obras clássicas à luz do conhecimento atual, integrar saberes das ciências da saúde e da espiritualidade, e formar terapeutas com consciência dos limites e das possibilidades de sua atuação. 

A formação de qualidade, nesse contexto, é considerada um pilar inegociável.

Qual a diferença entre magnetismo humano e outras práticas energéticas?

É comum que haja confusão entre o magnetismo humano e outras abordagens que lidam com energia vital, como o Reiki, o Chi Kung ou a imposição de mãos em contextos religiosos. 

Ainda que existam pontos de contato, o magnetismo clássico se diferencia por possuir uma tradição própria, com literatura específica, técnicas sistematizadas e princípios bem definidos.

Na prática do magnetismo, o terapeuta utiliza manobras específicas, como passes longitudinais, transversais, imposições e insuflações, cada uma com finalidades distintas. Os passes longitudinais, por exemplo, trabalham o fluxo energético ao longo do corpo, enquanto os transversais buscam dispersar acúmulos localizados. 

As imposições envolvem a aproximação das mãos sem movimento, com foco na transmissão direta, ao passo que as insuflações utilizam o sopro como veículo magnético.

Além disso, a formação do magnetizador envolve estudo teórico aprofundado, prática supervisionada e compreensão dos limites de atuação. 

Essa estrutura, portanto, difere de práticas que se baseiam exclusivamente em canalização espontânea ou em protocolos padronizados sem individualização.

Outro ponto de distinção está na literatura disponível. 

O magnetismo humano clássico possui obras de referência que datam dos séculos XVIII e XIX, com autores como Mesmer, Puységur, Deleuze, du Potet e Durville. 

Essa base bibliográfica permite ao estudante acessar as fontes originais e formar um julgamento próprio sobre os fundamentos da prática.

Quais são as principais obras de referência sobre magnetismo humano?

Para quem deseja se aprofundar no tema, algumas obras são consideradas pilares do magnetismo clássico. A lista a seguir reúne os títulos mais relevantes citados por pesquisadores e escolas de formação:

  • Mémoire sur la découverte du magnétisme animal (1779), de Franz Anton Mesmer
  • Memórias para Servir à História e ao Estabelecimento do Magnetismo Animal (1784), do Marquês de Puységur
  • Instruções Práticas sobre o Magnetismo Animal (1819), de Joseph Deleuze
  • Tratado Completo de Magnetismo Animal: Curso em Doze Lições, do Barão du Potet
  • A Arte de Magnetizar, de Charles Lafontaine
  • Teorias e Procedimentos do Magnetismo, de Hector Durville
  • Magnetismo Humano e O Tato Magnético, de Jacob Melo

Essas obras foram recomendadas ao longo da história por diferentes autoridades no campo, inclusive por Allan Kardec em seu Catálogo Racional. A leitura desses títulos oferece uma visão abrangente e fundamentada sobre a evolução da prática.

Conheça a ESAME e aprofunde-se no magnetismo humano clássico

A ESAME (Escola de Saúde, Magnetismo e Espiritualidade) é uma instituição dedicada ao ensino, à pesquisa e à formação séria em magnetismo humano clássico. Fundada pelo Dr. Gustavo Condi, médico e pesquisador reconhecido no campo do magnetismo tradicional, a escola integra conhecimentos das ciências da saúde, da espiritualidade e das práticas integrativas.

A formação oferecida pela ESAME é estruturada de forma progressiva e inclui fundamentos históricos e filosóficos, estudo aprofundado da literatura clássica, formação técnica rigorosa das manobras magnéticas, atendimentos supervisionados com pacientes reais, avaliações teóricas e práticas, e acompanhamento ético contínuo.

Com atuação no Brasil e projetos de expansão internacional, a ESAME mantém diálogo direto com a tradição europeia do magnetismo, especialmente na França, onde essa prática possui raízes históricas profundas. A escola se posiciona como um contraponto à banalização do magnetismo, resgatando-o em sua profundidade terapêutica e humana.

Se você deseja conhecer mais sobre a ESAME e suas formações, entre em contato com a equipe da escola e descubra uma formação que respeita a tradição, a ética e a profundidade do magnetismo humano.